ELOGIO DA COMPACIDADE

Por Santiago de Molina, publicado em Múltiples Estratégias de Proyecto, em 26 de junho de 2017. 

Rafael Moneo, Edificio Audrey Jones Beck do Museo de Belas Artes de Houston, imagem estudio Rafael Moneo.

Se, para resolver um problema, um arquiteto propõe uma forma, o problema fica circunscrito e, ainda que não pareça fácil de resolver, pelo menos é um só. Se, para resover o mesmo problema esse arquiteto divide a forma em duas, na realidade deve resolver três questões: duas formas e a relação que se estabelece entre elas. Logo, com uma divisão formal maior o número de problemas a resolver se multiplica…

Esta simples reflexão deveria bastar para consagrar um princípio universal da forma arquitetônica  compacta a qual, obviamente, implica motivos de maior importância do que o de economizar o esforço do arquiteto.

Se a isso acrescentamos a lógica do intercâmbio de temperatura da forma em relação a sua superfície podemos chegar ainda mais longe. Duas formas possuem mais superfície que outra do mesmo volume e igual geometria que as anteriores. Ou seja, sendo o volume interno igual, duas formas trocam com o exterior mais energia que apenas uma. Esta simples razão já seria um motivo adicional de elogio da compacidade.

O resumo dessas duas funções, da economia de meios e de energia, valeria para extrapolar não apenas um princípio da compacidade em arquitetura, mas também em urbanismo: porque só a cidade compacta é sustentável. Tanto que é fácil deduzir que devemos nossa sobrevivência como espécie a esse viver juntos, muito juntos, compactos.

Sendo assim, duvidem de quem fale em ecologia na arquitetura se a primeira coisa que diz é algo como combustíveis fósseis, isolamento, placas solares ou outras mil distrações. Só a compacidade pode ser a primeira preocupação de todos os que pensam, honestamente, no tema da ecologia na arquitetura, e inclusive dos que falam de economia. Tudo o mais é literatura.





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